Este relatório de viagem vem tarde, mas lá diz o ditado que mais vale tarde que nunca
Para celebrar os anos aqui do marmanjo, em vez de irmos jantar fora a um restaurante chique como de costume, decidimos ir passar o fim de semana a Yosemite. Estavamos para ir sozinhos, mas em cima da hora convencemos o Cliff e Jason (colegas na IBM) a juntarem-e à aventura.
A ideia era sair no Sábado de manhã e fazer uma caminhada durante a tarde. Assim foi. Lá pelas 7h da manhã estávamos de saida de San Jose, para 5 horas mais tarde estarmos no parque, com uma paragem intermediária para comprar as já habituais sanduiches para comer durante a caminhada.
Depois de alguma discussão sobre qual seria a caminhada a fazer, lá nos decidimos pela subida ao Glacier Point, uma espécie de cume com a melhor vista sobre o vale de Yosemite. Aqui fica uma foto tirada em 2008, quando fomos de carro até ao topo:

Basicamente, do Glacier Point dá para vero vale todo e os picos envolventes, incluindo o Half Dome, aquele calhau partido a meio ali do lado direito da foto. A caminhada ao topo do Half Dome é uma das caminhadas mais populares (e duras) nos Estados Unidos.
Mas como nós começamos do vale, esta vista só seria possivel depois de treparmos cerca de 1100 metros de altitude ao longo de 6.5km de distância. Dá para ver que era sempre a subir, pois a cada 6 passos, estávamos um metro mais altos. A caminhada teve inicio no vale, junto ao rio que o atravessa, fruto das várias quedas de água em Yosemite. O rio serviu também de abastecimento de água para um dos membros do grupo, que usou um filtro de água, embora não tenha adiantado de muito, como comprovaram os dias que se seguiram de indisposição

A paisagem era bonita mesmo antes de começar, mas dizia quem sabe que as vistas ao longo do trilho eram magnificas, por isso aqui vamos nós. Uma das paisagens que se podia avistar do trilho eram as quedas de água Yosemite, com o mesmo nome do parque. São das mais altas quedas de água do mundo, com cerca de 700 metros de altura. Logo no inicio do trilho era possivel avistar a parte superior da queda, ainda que apenas por entre uns ganos das arvores:
Com o passar do tempo, lá iamos subindo e a vista ficava menos obstruida:

Com umas cores interessantes:

Com direito a umas cores de Outono para animar a malta:

Mais uns minutos, e o vale à vista pela primeira vez. Já começa a ser perceptivel que nos encontramos a uma altura considerável, embora até ao momento devemos ter subido menos de 20% do total.

A vista para trás também começava a melhorar, com o El Capitan à vista:
O El Capitan é outro calhau muito conhecido em Yosemite. Se subir ao Half Dome é o sonho de qualquer montanhista, trepar o El Capitan é o sonho de qualquer escalador. A parede é tão alta que demora vários dias aos escaladores até chegaram ao topo. A olho nú é quase impossivel detectar os escaladores na parede, mas com uns binoculos lá se conseguem deslumbrar alguns deles (foto tirada no dia seguinte, bem mais perto da parede do que durante a caminhada):
Para quem não consegue ver, as setas vermelhas estão a apontar para 2 gajos na parede, à espera que outros subam. Os outros estão do lado direito em baixo, mas ao dobro da distância que a foto cobre. Não havia maneira de os apanhar todos na mesma foto e conseguir distingui-los da parede.
Mais uns passinhos e finalmente é possivel ver não só a parte superior da queda de água, mas também a parte inferior:

As duas partes juntas somam 730 metros de altitude. Embora a paisagem nesta altura seja bastante bonita, o cansaço já se faz sentir, e reparem como ainda estamos apenas a cerca de metade da altura das quedas de água, ou menos. No entanto, o topo da queda de água são apenas 739 metros e nós temos de subir 1100. No entanto, motivação era algo que nao faltava:
E cheios de força lá fomos nós monte acima. Melhor ainda ficou a coisa quando conseguimos avistar a parte Este do vale pela primeira vez, incluindo uma timida aparição do Half Dome, escondido atrás de um pinheiro:

Se para a frente viamos o Half Dome, para trás viamos isto:

Com paisagens destas, o díficil mesmo era sair do sitio. Por esta altura o cansaço também já não ajudava e havia inclusivé quem pensasse em voltar para trás. Estavamos a caminhar sem parar há cerca de 2 horas, sempre a subir, e sem fim à vista.
A única coisa a ficar cada vez mais à vista era mesmo o Half Dome, e isso sempre ia dando alguma motivação extra:

Por esta altura estavamos também abrigados do Sol, o que fazia os 2 kilómetros restantes menos maus do que os anteriores.
Como diz o ditado, "para a frente que atrás vem gente" e as coisa começava a melhorar:

O facto que estavamos quase à altura do Half Dome eram boas noticias, pois significava que já não havia muito mais para trepar.
Chegados ao topo, em adição ao El Capitan e as quedas Yosemite que nos tinham acompanhado ao longo da viagem e ao Half Dome, que se revelou durante a parte final da viagem, tivemos também o prazer de apreciar as vistas para as montanhas a Sul do vale:

Do lado direito da foto é possivel ver mais duas quedas de água, as Nevada Falls (em cima) e as Vernal Falls (em baixo).
E prontos, depois de tanto trepar, um descanso a apreciar esta vista era mais do que merecido:
Mas, como podem ver pelas sombras nas montanhas, o Sol está a começar a despedir-se deste dia e nós ainda temos de voltar ao carro, que está na outra ponta do trilho.
Desta vez é sempre a descer, e por isso com menos paragens fotogénicas, excepto uma ou outra para capturar as cores de outono e, claro está, documentar a boa disposição, especialmente depois de alguns palavrões dirigidos à subida:

É claro que de tantos sitios possiveis, paramos exactamente no mesmo local em que tiramos a foto durante a subida. A isso chama-se criatividade
Para acabar o dia, um magnifico por do sol lá bem ao fundo to vale:
